no final das contas, nós sempre nos apegamos a algo que não exista ou talvez nos façam crer que há existência. e, sempre no final, acabamos por nos apegar nas pessoas por mais inevitável possa parecer.
o meu caso não foi diferente. segui o mesmo caminho que qualquer ted mosby da vida trilha. me apaguei em alguém de uma forma tão estranha e ao mesmo tempo cômica, se não fosse trágico. ao contrário do que possa parecer, eu aprendi muita coisa com ele. aprendi desde já a levar com mais seriedade as situações corriqueiras. sendo bem sincera: aprendi muitas coisas que talvez ele nem tenha notado - da mesma forma que não notou a minha dependência.
pode soar o mais anormal possível mas o carinho que tenho por ele é de longe comparado às paixões que tive. no meu caso, o “apegar-se” vai muito mais além do que apenas uma questão de corpo, carnal; é algo mais profundo, ligado ao afeto e a preocupação de querer o bem, somente o bem de alguém. eu sei que, no fundo, ainda não tenho a capacidade de “fazer” alguém se sentir melhor perante a uma situação que lhe causa desconforto e ele mesmo me admitiu isso através de uma conversa diária. o meu problema é ser intensa, querer abraçar o mundo e ajudar quem, muitas vezes, não quer ser ajudado. e, particularmente, esse foi um caso.
há seis meses converso com ele e a seis meses eu senti uma necessidade de vê-lo; quando digo isso, não estou me referindo ao fato dele querer algo comigo. não, não. eu só queria ter a oportunidade de ver, sentir a presença de uma pessoa com quem compartilhei as coisas mais banais do dia-a-dia e que já aturou muito draminha meu. eu só queria ter a oportunidade, nem que seja por um dia só. será que ele entenderia que vai muito mais além de se ver e todo aquele lance carnal? mas por um momento entendi e fiquei aliviada por ainda não ter tido essa oportunidade pois estava romantizando algo que não existe e nunca existiu. eu me apeguei muito e era visível que ele não estava disposto a tentar. sabe o banho de água fria no inverno? essa sensação. odeio banho frio. odeio a sensação de acordar pra vida. mas dessa vez não odiei tanto porque chegou num ponto em que eu não conseguia mais parar de pensar nele. era bizarro até pra mim. aí se tornou algo preocupante. e aí acordei e percebi que eu não passava de uma mera conversa. algo comum, nada além disso. eu mesma, ted mosby (apesar que sempre bancar a forte e se achar uma robin da vida). indiquei a minha série preferida mas parece que não prendeu atenção dele mas, caso tivesse assistido, entenderia que: eu, ted; ele, robin.
no fim, ele me mostrou ser uma pessoa muito auto-suficiente e que realmente não necessita de alguém para ser feliz. eu admiro isso e realmente quero ser assim mas ainda não consigo. não sei ser forte.
nos últimos dias acabei por tentar fugir, me afastar. porque no final das contas ele me fez um bem danado. me ensinou muita coisa até por ter mais maturidade que eu e mais idade. mas o mais curioso de tudo é que ele me fez acreditar que ainda existe um sentimento aqui comigo e é verdadeiro, não é forçado. será que ele entenderia? eu fugi, durante um ano inteiro, de inúmeras pessoas que tentaram entrar na minha vida e eu não deixei, e ele conseguiu reverter a situação. no fundo, admito que é mérito de um troféu por isso porque quem me conhece sabe como sou; não é fácil mas com ele foi. pena que não há reciprocidade, mas bem.. quem é a reciprocidade na fila do pão, né?
eu agradeço por ele me fazer re-acreditar. e, na intenção de não deixar esse fio de esperança - de ainda poder gostar de alguém - ir embora, eu vou.
apesar de me deixar triste pelo fato de gostar dele, sei que no fundo é o melhor para mim. e se tem uma coisa que ele me ensinou é pensar mais no meu bem.
com certeza antes dele ler isso vai pensar “puta merda, lá vem textão”
com certeza depois de ler isso ele vai agradecer por eu estar saindo assim
e com certeza depois de ler isso… ele.. bom, não vai acontecer nada
obrigada, mesmo, do fundo do meu coração.
ass. o drama.